ontem sonhei que scolari ganhava o festival da eurovisão, com uma romântica canção que fui capaz de trautear aí até ao meio-dia. depois esqueci-me, como me acontece sempre aos sonhos. lembro-me de tecer considerações aos grandes planos do realizador do certame e ao sotaque portuguesíssimo mostrado pelo intérprete. contado este embaraço, sinto-me livre para confessar, perdoem-me os joões lopes deste país que se enervam até à última raiz do cabelo mais milimétrico com esta alucinação colectiva, confesso, dizia eu, que em meses da selecção, esta bimbice em massa me emociona, não me chateiam nada os directos infindáveis dos telejornais, as bandeirinhas com pagodes em cada janela (em casa não sou capaz, aqui no trabalho, com a desculpa "é para os miúdos", acabámos de ir comprar uma), que acho que temos um hino que merece ser ouvido até dia 29. não sou gaja de futebóis, era preciso apontarem-me a pistola para eu sair à rua com as cores da selecção, mas acho isto tudo muito bonito. até as matrafonas que, nestes dias de calor, se enrolam em bandeiras de poliéster para ir tomar café.